Formação Pensamento Ocidental – Aula 15/32 – O nascimento do juízo (transcrição)
Hoje vamos falar um pouquinho do nascimento do juízo; é um tema supercomplexo, superdifícil, é tudo o que sintetiza a nossa inimizade. Toda a nossa indisposição, a nossa violência, a nossa crueldade, a nossa agressividade vai contra essa instância chamada juízo e é isso que vamos tentar esboçar hoje aqui de alguma maneira: como é que o juízo emerge nos moldes como o conhecemos. Porque os gregos não eram suficientemente niilistas, suficientemente negativos para terem instaurado a instância do juízo como um plano privilegiado de estabelecimento da verdade; os gregos eram suficientemente afirmativos para não deixarem essa planta venenosa nascer na sociedade deles. Por mais que você tenha o idealismo platônico, um niilismo muito forte ainda em Sócrates, em Platão, em Aristóteles, os gregos não têm um São Paulo. São Paulo é privilégio do ocidente cristão, é o inventor do cristianismo e um dos que gerou as condições mais elementares para que o juízo tivesse o sucesso que tem até hoje. São Paulo é, digamos, o grande intérprete, o grande formador do conceito cristão daquilo que o Nietzsche chama de má consciência. São Paulo é que interpreta a cruz – ou a morte de Jesus na cruz, O Crucificado – como um acontecimento que diz respeito ao mais íntimo da nossa existência a ponto de, através desse acontecimento, introduzir em nós a dívida infinita.




































































































