Então vamos resumir novamente o sistema aristotélico; aí falamos um pouco sobre a linguagem no sistema aristotélico e seguimos na questão da representação. Aristóteles tem um problema que já é algo que se diferencia bem da questão platônica, porque o problema de Aristóteles já é organizar a representação – no sentido literal: produzir uma representação orgânica. Por que uma representação orgânica? Porque a diferença tem que entrar no conceito, ou ela tem que entrar na razão, ela tem que entrar na lógica. Em Platão isso é feito ainda de modo muito bruto, digamos assim: a diferença é uma coisa maldita e, ao mesmo tempo, ela tem uma vocação dócil – ou de ascensão – que levaria a receber uma marca produzida pela Ideia, onde faria da diferença uma imagem ícone., uma imagem cópia. No caso platônico, essa diferenciação é dada pelo grau de participação em relação ao modelo, ou pelo grau de semelhança espiritual que a imagem adquire ao se relacionar internamente, espiritualmente ou de modo incorporal com o próprio modelo.