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Conexões, Diagramas e Ações

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Zonas de Criação

• Mapeamento e estilização de desejos investidos na sociedade contemporânea.

• Problematização dos conceitos: mito, duração.

• Estudos práticos - modos de diferenciar imperceptivelmente a duração; e modos de desconstrução de mitos instituidos.

   

Diagrama Virtual de Ação

TRAÇOS E CAMINHOS


Intra-relacionar as linhas diferenciais e Inter-relacionar as zonas comuns de afirmação:

Ampliar a percepção de si, dos desejos e da realidade na relação com os outros processos. Catalisação e expansão dos devires. Interações de práticas e mais variadas maneiras - expor idéias, esboços, ensaios - que se tornam instrumentos e produtos disponibilizáveis como alternadores e revezadores para sustentar a continuidade dos devires ou processos criativos.


Escolha de sub-tema:

Algo que te instigue. Zonas em que o teu desejo tende a permanecer e a investir na percepção das variações.
O sub-tema pode ser genérico ou específico; ele é um primeiro sentido de investimento, uma zona de destaque. Sua escolha tem como motivo essencial o potencial plástico, a capacidade de transmutação - jamais tornar-se refém de uma projeção ideal ou forma a se atingir.

 

Criação de problema:

Sub-temas não bastam por si mesmos, e um mesmo pode ter inúmeras zonas de problematização. É preciso que eles se tornem disparadores de desejos como acontecimentos da vida. E mais, como horizonte e motor de um desejo, o tema tende a desdobrar-se em ações possíveis cujas modalidades de realização constituem um campo problemático.
O problema se tece com o que transborda nas maneiras de existir; com a emergência de um desejo na fronteira de um investimento sutil, uma inquietação lapidada e consistente.

 

Pesquisa, criação de roteiro e condições de efetuação:

Trabalha-se a intuição ou a espreita, modos de criar idéias a partir da observação da realidade.

Coleta e seleção de material a partir de um modo de recortar segundo a visão que move ou motivo-problema:

• Mapeamento dos investimentos de desejo, ou seja, dos modos de usar, ocupar, passar, ocupar e aplicar o tempo. Onde estou agora? E ligado em que? E o que faço com isso que me acontece nessa posição ou disposição do desejo investido de tal ou qual maneira?

• Apreensão de uma materialidade rara no meio do lixo (profusão material indiscriminada) estatístico: não privilegiar o número ou a erudição: pesquisa de campo (selecionar, focar e intensificar o tema-problema através da experiência cotidiana – olhar etológico); pesquisa através de material de obras de arte e de ensaios críticos.

 

Conclusão de processos:
Expressão que problematiza e cria de valores de combate nas relações microfísicas e micrológicas do desejo. Traçar direções e critérios que investem a presença do desejo e a atenção do pensamento em zonas de passagem ou transformação de sentido e valor. Assim se colocam em devir as matérias e as idéias criadas.
Preparar e compor os produtos, e criar as condições para realizar circulações e reproduções multimeios, mostras, exposições, distribuições.
Continuidade expandida e diferenciada de todo o processo a partir do produto tomado como combustível ou alimento ativador do eterno retorno de todos os tempos do jogo.
   

Prática de criação artística

Produção de matérias de expressão

Praticar a espreita sobre os comportamentos urbanos (ou mesmo familiares, de amizade, amorosos, profissionais, etc), observando as zonas estéticas desses meios e dos espaços e equipamentos urbanos, que funcionam como estímulos desencadeadores de reações ou respostas, desde as mais automáticas e esteriotipadas até as mais inventivas, desajustadas ou inesperadas.

Seria interessante cada um se exercitar em extrair dos encontros com a corporalidade gestual urbana, matérias de expressão dos corpos e zonas de invenção impessoal e/ou tendências que se apossam dos corpos e põem seus movimentos em variação, desenham situações e paisagens as quais deixam entrever ritmos de desejo, frequências e ressurgências, repetições, insistências, retomadas, ensaios, tentativas não contempladas na expectativa das vidas cotidianas, mas que insistem em criar passagem.

Observar também nessas paisagens urbanas movimentos ou matérias moventes a um passo de serem enquadradas, a frágil circulação de gestos no limite do incômodo ou da perturbação social, que desarranja ou desorganiza, e ao mesmo tempo sinaliza uma matéria viva incontrolável, inextirpável, inegável que insiste ou subsiste nos interstícios e nas frestas, nos intervalos das relações desejadas, reconhecidas ou toleradas.

E nisso tudo, praticar uma escuta de si a partir daquilo que nos acontece através dos encontros que assim experimentamos.

A idéia é experimentar e vivenciar a duração desses processos, e de alguma maneira registrar tal prática, sem pretensão, sem medo de errar (ou finalidade em acertar).

O registro é um modo de expressão cujo formato não precisa ser demasiado elaborado, e pode acontecer em forma de música, texto, poesia, vídeo, fotografia, ensaio, desenho, teatro, dança, conto, narrativa oral, entre outras tantas que surgem a partir das urgências de cada um.

A idéia é se colocar em movimento e se enriquecer de um exercício cotidiano e poder compartilhar e exercitar o mesmo processo de modo coletivo.

   

Registro Criativo

Por meio de uma problematização das maneiras de usar a atenção, a tensão e a concentração, opera-se recortes, seleções, extrações, acumulações e disponibilizações de tempos e movimentos próprios de modos intensivos de viver, sem pressupor a representação como dispositivo privilegiado de julgamento.

 

Modo de produção de Registro Criativo: Construir um olhar simultaneamente mental, sensível e de si (escuta do devir de si) a partir de um investimento nos modos de tensionar o desejo, ou seja, no investimento das distâncias abstratas pela experiência abstrata da produção dos hiatos e dos entre-tempos entre as zonas sensoriais e motoras do corpo, e entre a memória, a mente e o cérebro. Essas distancias são tensionadoras do desejo, ou dos modos de sentir, agir e pensar, cuja direção de tensionamento opera entre uma diferença de potencial constitutiva de si e um acontecimento diferencial de um devir de si. Ou seja, a tensão se torna atenção de devires intensos, que captam tempos, movimentos e afetos como acontecimentos imediatos do vivo, sem a mediação da representação simbólica implicada nos usos reativos da sensibilidade e da linguagem humanas. Essa nova maneira de olhar e de escutar implica uma nova maneira de recortar ou enquadrar, selecionar e extrair (criar plano ou contínuo intensivo do movimento - duração do foco ou ritmo/ dilatação do tempo e do movimento) Resultado: produção de sínteses de tempo e movimento. E, nessa produção, acumulação de matérias de expressão constitutiva de um plano de registro, o qual condiciona a continuidade das intensidades e a repetição das qualidades disponibilizadas nas sínteses de movimento e de tempo. Em outras palavras, a criação das condições da experiência coincide com a criação das condições do eterno retorno do jogo afirmativo como produção de realidade ou de eternidade na existência: plano de consistência ou coesão da obra.
   

Literatura do Cotidiano

- Pesquisar os mitos existentes e suas versões segundo seus usos ou motivações de uso, praticar os modos de contar e criar mitos da sociedade atual e desconstruí-los, multiplicando suas versões e motivações de uso;
- Investigar a mídia ou os meios de expressão como máquinas mágicas que criam zonas de captura de atenção para canalizar e extrair do desejo a mercadoria mais fina, uma subjetividade dócil e sob controle;
- Provocar e desconstruir os rituais dominantes, significantes do ponto de vista do capitalismo e da civilização judaico-cristã;
- Investir em fabulações e simulações; 
- Criação de rituais de futuro;
- Desenvolvimento de jogos;
- Criar histórias, narrativas e seus modos de contar;
   

Prática corporal

Matéria-movimento e corpo abstrato: Variações intensivas do movimento no corpo

A prática se desenvolve a partir dos movimentos que se apresentam imediatamente no corpo e da problematização de suas nuances nas ações/sensações e pensamentos, com o enfoque na autonomia tanto dos fluxos quanto do ritmo do desejo.

Cada pessoa deve criar uma pesquisa individual, não baseando movimentos/sensações/ações/pensamentos num orientador ou direção exclusivas. Portanto, é a partir de atmosferas de pesquisas próprias que acontecem os encontros, as trocas de experiências e o aprofundamento do problema proposto.

O primeiro passo é estabelecer espessura para habitar vagas sensações e perceber vazões no movimento. Um modelo de exercício proposto para iniciar é escolher um movimento simples qualquer, e repeti-lo com a condição de pensar as percepções e diferentes sensações. A continuidade do movimento se dá pela expressão de uma tensão ou ação crítica. Para sair da ordem do movimento, é necessário relacionar e engendrar ações, pensamentos e movimentos não deixando de permanecer sensível às mínimas variações e de dar continuidade às presenças e diferenciações da realidade.

O jogo é criar expressão para as ligações do desejo. Supondo a contraposição do desejo à imaginação, e da perfeição à forma; e fazendo do limiar do movimento uma zona indeterminada, algo vago, ou o caos. Fazer do desejo algo simples de percorrer de modo que habitar essa zona simples seja necessário para perceber que o ritmo do mar é inseparável de seu movimento. De alguma maneira é criar o impossível. Diferenciar. Não habitar o estado.

 

   

Método de Auto-Gestão

Do Método de Auto-Gestão: As equipes são autogeridas e compostas por modos multicoordenados de relação, portanto sem centro fixo de comando ou fixação prévia de funções.
O comando é sempre excêntrico na medida que o que nele opera e faz dominar, ou seja, seu conteúdo ou razão de ser, coincide com o motivo de todo encontro enquanto razão de composição ou criação de diferenciais de potência. O comando na verdade coincide sempre com um meio extremo ou fronteira, princípio motor de diferenciação ou de variação de um desejo que germina no seio do Acontecimento, zona intensiva do real: atualizador constitutivo do acontecimento-problema. O sentido do acontecimento-encontro ou desejo expresso no acontecimento-problema é também a razão de continuidade do devir nele implicado e que se exprime na multiplicidade coexistente de um conjunto de vozes, cuja unidade é um continuum diferencial da potência de variação de um tema-problema.
   

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Sobre a Escola

Desde março de 1986 promovemos movimentos culturais por meio de eventos, palestras, oficinas e cursos. Nossas práticas são frutos do investimento em modos ativos de existir. Trabalhamos o devir e a criação através de uma filosofia inseparável dos princípios autônomos da própria natureza. Desse investimento criativo resulta, como efeito necessário, toda uma crítica dos modos sedentários de viver, sentir, agir e pensar, cuja prática opera uma desconstrução da forma que tomou o pensamento, tanto no Ocidente quanto no Oriente.