Produção de matérias de expressão
Praticar a espreita sobre os comportamentos urbanos (ou mesmo familiares, de amizade, amorosos, profissionais, etc), observando as zonas estéticas desses meios e dos espaços e equipamentos urbanos, que funcionam como estímulos desencadeadores de reações ou respostas, desde as mais automáticas e esteriotipadas até as mais inventivas, desajustadas ou inesperadas.
Seria interessante cada um se exercitar em extrair dos encontros com a corporalidade gestual urbana, matérias de expressão dos corpos e zonas de invenção impessoal e/ou tendências que se apossam dos corpos e põem seus movimentos em variação, desenham situações e paisagens as quais deixam entrever ritmos de desejo, frequências e ressurgências, repetições, insistências, retomadas, ensaios, tentativas não contempladas na expectativa das vidas cotidianas, mas que insistem em criar passagem.
Observar também nessas paisagens urbanas movimentos ou matérias moventes a um passo de serem enquadradas, a frágil circulação de gestos no limite do incômodo ou da perturbação social, que desarranja ou desorganiza, e ao mesmo tempo sinaliza uma matéria viva incontrolável, inextirpável, inegável que insiste ou subsiste nos interstícios e nas frestas, nos intervalos das relações desejadas, reconhecidas ou toleradas.
E nisso tudo, praticar uma escuta de si a partir daquilo que nos acontece através dos encontros que assim experimentamos.
A idéia é experimentar e vivenciar a duração desses processos, e de alguma maneira registrar tal prática, sem pretensão, sem medo de errar (ou finalidade em acertar).
O registro é um modo de expressão cujo formato não precisa ser demasiado elaborado, e pode acontecer em forma de música, texto, poesia, vídeo, fotografia, ensaio, desenho, teatro, dança, conto, narrativa oral, entre outras tantas que surgem a partir das urgências de cada um.
A idéia é se colocar em movimento e se enriquecer de um exercício cotidiano e poder compartilhar e exercitar o mesmo processo de modo coletivo.