A Escola Nômade de Filosofia é um movimento de pensamento livre, desvinculado de qualquer institucionalidade, seja de princípio racional, moral ou religioso. É um movimento que apreende o pensar como potência de acontecimento e criação, livre de qualquer fundação pela Forma.
Sendo necessariamente imanente à natureza, esse pensamento é, portanto, inseparável de uma ética afirmativa do corpo, sempre ativo e em devir. Um pensamento como práxis, gerador de uma atmosfera consistente e sempre inédita, liberta de formas a priori, e intensificador de movimentos abertos.
Sendo nômade, esse pensamento não remete a raízes sedentárias: seja através de uma recognição original, memória formal da origem, como sujeito fundante; seja ao modo de uma intencionalidade final, como projeto totalizador ou objeto acabado ideal ou material. O pensamento nômade não tem referência, nem modelo, nem sujeito, tampouco identidade: pensamento da afirmação imediata da diferença enquanto diferença; do sim às multiplicidades que não apenas se dizem como qualidades expressivas, mas que se fabricam como substâncias produtivas; e do gozo alegre implicado na experimentação do diverso enquanto estofo de uma natureza naturante do próprio diverso.
Por tudo isso também, esse movimento de pensamento tem por efeito necessário uma desconstrução crítica de todo pensamento ocidental, e oriental inclusive, nos seus aspectos de transcendência.
Em suas práticas, a Escola produz movimentos e eventos que catalisam, dinamizam, aceleram, promovem, provocam um modo de viver e de pensar nômade, autônomo, ligado unicamente às potências da própria natureza que tudo sustenta e nos constitui. Por isso também, em seus movimentos e eventos, promove estudos, pesquisas, criações a partir de ciências e práticas de pensamento que não demandem nenhum referencial formal a priori, seja o de um ideal transcendente à natureza ou o de uma consciência transcendental.
Para tanto tem como objeto privilegiado de pensamento a natureza da própria natureza, isto é, a natureza naturante como acontecimento de auto-produção.
Nesse sentido não promove separações ou cortes formais disciplinares, nem uma suposta religação transdisciplinar. Mas opera com dimensões, intensidades e limiares do pensamento: provoca uma nova visão dos cortes e das continuidades, que desta vez emergem por devires intensivos; dimensões da física quântica, da energia, da biologia molecular, da química, das matemáticas dos vetores e das forças, das ciências dos signos, da linguagem e seus regimes, da cibernética, da ética que combate a moral, da estética, ecologia e etologia, da economia do desejo, da micro-política das relações, da micro-lógica do sentido, da micro-sociologia dos afetos, do direito e da jurisprudência da vida intensa; dos jogos intensos sem regras prévias; das artes criadoras de novas maneiras de sentir, sem representação do sublime; da grande saúde como força de criação e da doença como decadência conservadora; da psiquê como plano de consistência e de coexistência de tempos esquizos, de uma esquizoanálise como desconstrução do sujeito e liberação do desejo, da educação para a potência e não para a obediência; dos modos de transporte e deslocamento que afirmam a passagem de fluxos vitalizadores; do urbanismo como arte das distribuições espaciais planetárias; dos modos de criar arquiteturas, de construir e morar dos homens como multiplicação qualitativa dos territórios existencias; da composição mental com os territórios e zonas de vibração animais e das conexões com as plantas e com os elementos como experimentação da vida na Terra, pois tudo se passa num meio imanente, plano comum de natureza ou de espaço-tempo, onde e quando forças, simultaneamente singulares e plurais, se compõem e acontecem. Portanto, toda uma nova política do desejo e da vida na Terra, uma nova governabilidade de si e da Terra, pela Terra.


