Tema-problema
Problematizar nossas crenças, valores e práticas de justiça, pressupõe um mergulho no coração dos modos de desejar e pensar contemporâneos, cujos termos coincidem com os limites do comportamento e dos saberes necessários, desejáveis e toleráveis. Cada sociedade se constrói por um modo de tornar coesas e contínuas (suas relações de força e seus correspondentes) regimes de poder ou de potência, através de usos e tecnologias de linguagem e usos e tecnologias de corpo, criando e investindo costumes, regras, normas, leis, cultos e proibições, como meios de efetuação e continuação de suas forças e desejos, organizando-a e direcionando-a, dando sustentabilidade e permanência aos dispositivos institucionais de seleção, conservação e expansão dos seus modos de existir. Eis o princípio de seleção, em seu campo imanente de forças, das formas pelas quais, variáveis parciais ou constantes universais, se integram suas tendências difusas num mesmo plano de composição, correlacionando-as como segmentos (rede de ações-paixões) constitutivos de um só corpo social; nunca pela descoberta do verdadeiro e justo a priori. O dever-ser, a existência sob o peso de uma pura forma vazia da Lei, constitui o horizonte negativo e ilusório, pretensamente transcendental da consciência moral de nossa época. Mas sob essa crença, exerce-se uma função de controle e gestão da vida que a priori a coloca sob estado condicional ou existência em sursis. Nossa idéia de liberdade só tolera os modos ativos e intensivos de viver - temidos como imprevisíveis - sob uma condição de vigilância e controle virtual permanente, seja em espaço fechado ou aberto, em tempo sucessivo ou simultâneo. A vida está a priori sob suspeita: virtualmente caótica, passível de ser decretada ofensiva, violenta, louca, doente, celerada, criminosa, culpada. Por isso, a necessidade da crença em valores universais a priori, isto é, transcendentes e superiores à experiência a posteriori ou a vida de fato, mesmo que sob a máscara dos direitos universais do homem. Colocá-la sob a condição do juízo a priori ou de direito, desqualificando-a de saída na medida que deve tornar-se passível de julgamento, cujo padrão se deixa reger por uma forma jamais preenchível. Não haveria outro meio de impor-lhe uma condição de existência moral sem impor-lhe e produzir a crença na falta a priori do desejo - dívida de existência ou insuficiência do vivo. Então o problema de nossas formações sociais passaria a ser o de construir uma interioridade humana, uma instância em nós, a pessoa, o eu, o sujeito, com suficiente controle sobre as forças imprevisíveis, desregradas e perversas, para que finalmente o homem construísse a si mesmo como uma fortaleza moral capaz de uma liberdade responsável através de um modo superior de desejar, um desejo idêntico a uma pura forma universal da ordem válida para todos, forças divinas, do homem ou da natureza. Desse modo somente seria capaz de uma “autonomia”, admitindo o pressuposto do mal interior e da opção pelo seu controle virtual permanente, o Estado em nós: preposto do poder simulado como imperativo categórico, legitimador e justificador a priori de ações e pensamentos, princípio de autoridade; consciência tornada Sujeito, autorizado e autorizador, legitimado e legislador, consciência panópticum, vigilante sem nunca deixar de se auto-vigiar.
Horário: Mensal aos Sábados das 16h00 às 20h00
Início: 27 de março de 2010
Local: Rua Arruda Alvim, 112, Pinheiros - São Paulo - SP (meia quadra da estação Clínicas do metrô)
Duração: 3 semestres
Valor: R$ 210,00 mensais
Vagas: 18
Inscrições pelo site
Informações: pelo site ou pelo e-mail
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ou pelos tels.: 11 2597 7038 / 7028 ou 11 8175 7423


