Projeção em Higienópolis, São Paulo - SP
Solyaris
165 minutos
1972
Solaris é um filme de ficção científica, que aborda com extrema profundidade o problema do tempo e de suas produções intensivas; da memória e do espírito e de suas qualidades de registro como condição da boa e da má repetição de si ou continuação da vida; das arapucas do retorno do mesmo nos modos de vida pautados na negação e no julgamento do vivido. Coloca o problema do sentido da existência, do amor, da natureza do pensamento, desconstruindo as formas reflexivas e recognitivas do conhecimento especulativo e científico e da razão prática ou moral humanos. Forja um ultrapassamento da consciência reduzida a estados atuais de espelhamento do presente, para mergulhar no inconsciente do pensamento e da matéria virtual, imanentes à natureza. Questiona o ideal do Outro e do Mesmo, a busca cega do sentido ou finalidade do fazer contato com outras formas de vida e de pensamento cósmicos. Situa a humanidade na sua impotência de criar e repetir uma memória ontológica que modifique e ultrapasse a si mesma. Estabelece a coexistência e a cumplicidade entre modos de viver e pensar que inviabilizam vidas ativas e alegres, em contraste com modos de amar que criam pontes e continuidades intensivas. Quais maneiras de viver podem levar o homem a produzir devires ativos e modos afirmativos de desejar ? O filme provoca um deslocamento radical no pensamento da memória que a vida cria e da cultura como seleção de valores que podem levar à morte do homem por indignidade, covardia diante da dor: vergonha de ser homem. Questiona a desqualificação da dor, o estatuto do mal, a cultura da morte. (Luiz Fuganti)


