Projeção no Pacaembu, São Paulo - SP
Alphaville
100 minutos
1965
Este genial filme de ficção de Godard coloca diretamente o problema das sociedades de controle e desnuda a natureza essencialmente vampiresca de todo o Estado, seja despótico, totalitário, fascista ou democrático. Todo Estado se constitui pela Morte, mas sob o signo da propaganda sedutora e delirande de uma provisão inesgotável de um Bem Universal, provisão de força, poder e prazer. O protagonista percebe o imperceptível de todo poder, o segredo de todo controle, o inconfessável que se esconde sob todo aquele que se põe a falar em nome da vida e do bem. Godard não narra a aventura apenas de uma suposto Estado doente e totalitario. Não há Estado que não se constitua como produtor de doença e como um grande sugadouro das forças vitais do homem. Sua Memória central; sua lógica binária e dicotômica de inclusão e exclusão; sua ciência integradora de focos dispersos de poder e suas técnicas de controle da vida por produção de desejo; sua linguagem higienizante; seus frios e vingativos dispositivos de codificação e de justiça; seus filtros, ordens e hierarquias invertidas, cálculos e determinação de um campo prescrito de possibilidades; suas cadeias de transmissão de sentenças de morte; suas rações e provimentos diários de dispersão, confusão e esgotamento; tudo isso faz a atualidade desse filme de 1965. Nossas sociedades continuam mais do que nunca atravessadas por microfascismos intrínsecos a toda Forma, seja por modelagem ou por modulação de fluxos e dos tempos vitais e necessários aos movimentos livres e autosustentáveis. (escrito por Luiz Fuganti)


