quarta-feira , 14 novembro 2018
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Luiz Fuganti

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Fuganti – Responsabilidade Ética e Irresponsabilidade Moral

O artigo procura apreender e esboçar as condições e circunstâncias imanentes à necessidade que leva uma sociedade a individualizar e subjetivar atos e comportamentos e a considerá-los passíveis de responsabilização pelas eventuais consequências nocivas que trariam. Para tanto, sinalizamos um traçado das linhas de força que colocam o problema não genericamente, partindo de valores abstratos sustentados como modelos universais de conduta, e sim desde tipos ou modos de vida dos homens que sentem, pensam e agem em função da continuidade de seus desejos e demandas em sociedade. Distinguimos inicialmente a ideia de responsabilidade desde a imagem que a preenche e da palavra que a simboliza, reencontrando o puro conceito. Remetemos o conceito ao problema ao qual responde concretamente. Problematizamos o próprio modo de colocar o problema, remetendo-o a um campo problemático de relações de forças. Apreendemos nesse campo de forças as modalidades imanentes de vida que nele se preenchem e se projetam nos valores sustentados como solução ou saída. Colocamos o problema, então, do tipo de vida que se investe e se colhe como retorno, o que engendra novos processos ou devires que dignificam ou empobrecem as forças constitutivas da vida e condicionam os meios de superar a humanidade reativa em nós.

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Fuganti – Lógica Penal e Criminalização das Vidas: Controle, Poder e Sujeição

Tecerei algumas considerações acerca de uma tendência dominante em nossas sociedades, que condiciona as práticas contemporâneas de justiça e seus dispositivos de julgamento, controle e gestão sobre a vida, já manifesta e pressuposta em seus modos de desejos, pensamentos e crenças. E então procurarei desdobrar algo do que pode se processar em nós segundo a natureza e o investimento dessa tendência. Paralelamente tentarei extrair algumas virtualidades daquilo que em nós pode dar sustentabilidade a uma outra postura - com outros valores, outra maneira de desejar, de pensar, de sentir.

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Fuganti – Agenciamento

O conceito de agenciamento opera um duplo ultrapassamento em relação ao modo de pensar da tradição inaugurada pelo humanismo moderno: por um lado, destitui a ideia dominante de uma natureza humana a priori – cuja forma legitimaria o senso comum do sujeito do conhecimento, a partir da constituição de um modo superior de desejar, neutro e desinteressado; por outro, desqualifica a verdade dos valores universais extraídos ou descobertos a partir de um plano de objetos ideais em si, constitutivo do bom senso – plano pretensamente superior ao plano de natureza e das forças de produção das formações sociais (ainda banhado de paixões humanas interessadas e parciais por natureza), enfim, como fundamento que torna possível o conhecimento verdadeiro, imparcial e universal.

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Fuganti – Biopolítica e Produção de Saúde – Um Outro Humanismo?

O apelo para o humanismo talvez seja um convite arriscado. Esse tom nos impõe uma questão e uma atenção ainda mais urgentes: até que ponto o cuidado mais humanizado pode, inversamente, mascarar o destrato com relação às forças mais nobres da vida? Dá-se o mesmo na oposição dos valores “humano versus desumano” e na relação “civilização versus barbárie”, que opõe, de um lado, a civilização cultivada na lei e na linguagem como condição de paz, de liberdade e de progresso da humanidade e, de outro, a barbárie mergulhada na tirania, com seus correlatos de violência e de escravidão envolvidos nos caprichos imprevisíveis de um déspota que governa pelo terror e pela brutalidade.

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Fuganti – Biopoder nas políticas de saúde e desmedicalização da vida (discurso transcrito)

Vou esboçar algumas questões relativas ao biopoder e à saúde e, nos limites desse breve discurso, considerar alguns aspectos acerca do controle sobre a vida e do sentido daquilo que comumente se denomina cuidado. Em seguida, qual a relação desses aspectos do controle e do cuidado com as práticas de medicalização que constituem, me parece, uma nova demanda por um certo valor de saúde. Porém, não um valor de saúde que se produz a partir de um tipo ativo de vida, mas aquela saúde que se demanda e acontece como investimento de desejo de um tipo de vida separada de suas capacidades de criar as próprias condições do existir.

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Fuganti – Ética como Potência e Moral como Servidão

Ao primeiro sinal da palavra ética o que salta à atenção comum do cidadão é um chamado para que ele, ao ponderar seu sentido mais frequente e ordinário, procure ascender a uma postura de vida e de comportamento que por princípio o colocaria no caminho do Bem, seja de natureza espiritual, seja um Bem para a humanidade ou, simplesmente, uma disposição por parte daquele que é qualificado com atributos ditos éticos, a assumir um comportamento que tenderia para o tão propalado bem comum da sociedade em que vive.

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Fuganti – Desejo e Pensamento

"Talvez um dia o século será deleuziano", assim falou Michel Foucault numa ocasião, depois do extraordinário impacto que lhe provocou a leitura de duas obras que marcaram para sempre, não só o século 20, mas toda a história do pensamento humano: Lógica do Sentido e Diferença e Repetição, de Gilles Deleuze. Essas obras por si só mostra toda singularidade e diferença de uma pura potência do pensamento.

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Fuganti – A Sociedade de Espetáculo

Não há sociedade constituída com Estado ou Lei que não demande formação de espelho de validação ou reconhecimento de existência de seus sujeitos. Toda vida separada do que pode, isto é, apartada de sua capacidade de acontecer no imediato do movimento e do tempo próprios que a atravessam, carece e investe um plano de reconhecimento.

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