sexta-feira , 22 junho 2018
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Equipe Escola Nômade

Aula 17 – Espinosa, o segundo momento do unívoco

Espinosa seria o segundo momento do unívoco: o ser unívoco, que inicia com Duns Scot... Duns Scot é que enuncia essa proposição explicitamente. Porque na realidade a história do ser unívoco é anterior, você já tem um ser unívoco com Parmênides; em Avicena isso já se passa, com a essência neutra; mas é Duns Scot que vai fazer a proposição. E segundo Deleuze, a única proposição ontológica que existe é essa: o ser é unívoco, o ser se diz num único e mesmo sentido de Deus e das criaturas – no caso de Duns Scot, que é um cristão. A questão da univocidade do ser em Duns Scot não ultrapassa a neutralidade porque Duns Scot precisa manter um ser eminente e transcendente que seria Deus, uma entidade eminente e transcendente. Então Deus transcende a natureza, ainda em Duns Scot. Ele vive no século XIII para o século XIV, isso é uma condição inclusive de sobrevivência dele.

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Aula 18 – Espinosa: Não há um sujeito do conhecimento

Espinosa tem teses teóricas muito radicais – como uma única Substância para infinitos atributos, os modos que são partes de uma Substância imanente à própria Substância, ou seja, parte de Deus atuando imediatamente na sua existência, que não se separa da causa. Essas teses teóricas levam a uma acusação, a uma denúncia de que Espinosa é um panteísta, de que Espinosa é um ateu, de que Espinosa vai combater o Deus pessoal, o Deus antropomórfico e antropológico das religiões cristãs, judaicas e islâmicas; mas essas teses teóricas não são suficientes para explicar essa mobilização afetiva em torno da figura de Espinosa. Na realidade, Espinosa tem, com a sua obra, um efeito prático muito violento – violento no seguinte sentido: ele é violento para quem se põe do ponto de vista da moral , do ponto de vista da religião, do ponto de vista da racionalidade ocidental; ele acaba construindo teses extremamente violentas e efeitos práticos extremamente violentos.

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Aula 19 – Espinosa e o plano de imanência

Espinosa traz de essencial na obra dele, na filosofia dele, uma capacidade, enquanto filósofo, que é raro encontrar em filósofos, que acaba consistindo no seguinte: através da mais pura filosofia, ele conseguir fazer com que a vida seja reencontrada. Ou seja, levar a filosofia para fora da filosofia; ele cria um sistema, ele cria um esquema que, na realidade, é o que estamos chamando de plano de imanência ou de plano de consistência ou de plano de composição – hoje vamos esclarecer um pouquinho melhor as nuances desses termos; através disso ele consegue levar a vida no seu imediato, uma vida que não precisa de intermediação. Espinosa, nesse sentido, cria o mais puro plano de imanência. O plano de imanência não é um plano como um projeto, como um desenho ou como um programa; o plano é mais como um mapa, como uma geografia, é como uma tela que põe os afetos em contato imediato - o que seria um meio, um puro meio, mas não um meio como um intermediário, como intermediação; é um meio puro onde as coisas se dão. Então Espinosa quer encontrar esse meio, ele quer destituir os intermediários; e os intermediários todos, no fundo, se resumem num único nome, que é a transcendência.

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Guattari – Somos Todos Grupelhos

Militar é agir. Pouco importam as palavras, o que interessa são os atos. É fácil falar, sobretudo em países onde as forças materiais estão cada vez mais na dependência das máquinas técnicas e do desenvolvimento das ciências. Derrubar o czarismo implicava na ação em massa de dezenas de milhares de explorados e sua mobilização contra a atroz máquina repressiva da sociedade e do Estado russo, era fazer as massas tomarem consciência da sua força irresistível face à fragilidade do inimigo de classe; fragilidade a ser revelada, a ser demonstrada pela prova de forças.

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Conferências em Moçambique | Saúde

Filosofia ou serve para a vida ou não serve para nada. Nós vamos passar um pensamento filosófico desse ponto de vista, do ponto de vista da vida. Eu dizia então que nós colhemos o que plantamos e nós morremos pela boca. Mas também nós podemos viver pela boca. Ou seja, o que há aqui é a idéia de uma necessidade de uma seleção, de uma capacidade seletiva nos encontros. Essa capacidade seletiva é, na verdade, a tônica da grande saúde: a saúde do corpo, a saúde da mente, a saúde das relações sociais, a saúde das relações com a natureza, a saúde das relações com o planeta, a saúde de todos os corpos vivos que se inter-relacionam.

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Conferências em Moçambique | Ética e Política I

Nós não acreditamos que haja uma contradição essencial entre os desejos individuais e os desejos coletivos. E essa ideia de que há uma contradição entre os desejos sociais, ou o desejo social coletivo e os desejos individuais, é o pressuposto básico de todo pensamento ocidental. Inclusive é um pressuposto para a invenção do Estado moderno, a partir de Hobbes. Hobbes pressupõe que há um estado de natureza do homem que seria um estado de guerra de todos contra todos, em função simplesmente de que os interesses individuais entram em conflito com os interesses coletivos. Esse pressuposto nós acreditamos inteiramente mal fundado, uma vez que já parte de uma condição humana, de um estado humano, de separação das próprias capacidades afirmativas que condicionam a postura humana como aquela que visa realizar desejos individuais que entram em conflito com outros desejos individuais.

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Conferências em Moçambique | Saúde Integral, Poder, Cultura e Aids

A saúde é de todo o corpo e é do pensamento nosso junto com o corpo. A alma e o corpo estão sempre unidos, ligados. Os ocidentais - e eu de alguma maneira tenho de me incluir nisso, porque nós somos filhos do Ocidente de alguma maneira - criaram uma maneira de viver muito enfraquecedora e muito doente, que separa a alma do corpo. E criou–se uma ideia de ciência, uma ideia de medicina que é, na verdade, uma maneira de controlar a vida, de controlar o corpo e de controlar a alma dos indivíduos. Só vou dar um exemplo básico para que vocês possam se situar um pouquinho em relação ao que quero dizer. No Ocidente, inventou-se, por exemplo, uma doença da alma que se chama vulgarmente de loucura. E a loucura, num certo momento, por exemplo, se disse, no século XIX, que era uma doença mental. A doença mental então foi inventada exatamente no século XIX. E com a interpretação que se tinha sobre uma perturbação do espírito, da alma, veio junto um saber de cura para essa mesma doença mental.

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Conferências em Moçambique | Ética e Política II

Nossa filosofia toca algo fundamentalmente intimo a uma espécie de natureza humana. É também uma questão complexa falarmos da natureza humana, mas enfim seria um ponto talvez problemático a partir do qual nós pudéssemos desenvolver certos temas que têm gerado muitos descaminhos para a humanidade, para as sociedades, ao mesmo tempo em que se criam soluções muitas vezes artificiais e abstratas, como falou o meu amigo Luís, que talvez fizessem parte de um tipo de filosofia que nós não fundamos. Eu só acredito num tipo de abstração, que é a abstração da não existência que segue sendo real.

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